"Sexo, dinheiro e crime". Assim o jornalista Stanley Walker, editor do New York Herald Tribune, definiu o que é a notícia, ainda na primeira metade do século passado. (Aliás, quem já viu o filme Acossado, de Jean-Luc Godard, deve se lembrar da cena em que a protagonista vende o jornal, que fechou as portas em 1966, nas ruas de Paris.)

 

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Todos somos ou gostaríamos de ser ombudsman (mesmo sem saber o que isso significa). Essa é uma premissa dos tempos atuais em que compartilhamos, discutimos, criticamos, à nossa maneira, na maioria das vezes atabalhoada, tudo o que se produz ou cai no universo das redes sociais. Todos sabem sobre tudo o que se passa, todos sabem pouco do que realmente se passa. Em tempos de crises profundas como as que vivemos, a comunicação vira uma arma nas mãos dos maus intencionados. A partir dela é que se manipula todo o resto, inclusive nossas ideias sobre as coisas.  E, mais fácil ainda, quando nossas ideias são rasas, sem aprofundamento, sem contextualização.
Cheguei onde queria chegar. Em algum ponto na apresentação do Correspondente Local, lá está o termo contextualização, que é, ou devia ser, o leitmotiv do jornalismo. Leitmotiv é um termo da música criado por Richard Wagner, que consiste em trabalhar com um ou mais temas que se repetem na encenação de uma ópera, relacionado a um personagem ou assunto. Gosto de usar isso e creio que cabe bem aqui ao analisar a produção dessa semana do “Periódico”.
Quem passou pelos cursos de jornalismo não teve como fugir do jornal laboratório (e se fugia já deveria ter parado o curso quando entrou). Era um gosto, em tempos tão precários, ora fazer a função de repórter para sentir as ruas, ora de editor para escolher o que seria melhor para o jornal naquela semana, quinzena, ou mês, a depender da parca estrutura disponível. Mas sempre queríamos fazer o que os jornais e as TVs não faziam.
Em linhas gerais, as mídias interativas do “Periódico” têm dado conta de produzir notícia e informação, que embora esteja fora dos portões da UEPG através das redes sociais, precisa chegar a um público mais amplo.
A esse respeito, chamo a atenção para o modelo de apresentação do jornal em vídeo, que segue o mesmo padrão das emissoras de TV convencionais, com apresentadores atrás da bancada. E mesmo elas já viram que esse modelo não é atraente, quando começaram a perder pontos e público para a internet. A formalidade do balcão separa a notícia do espectador.
Reparei isso no lançamento das novidades do “Periódico”. As cadeiras pareciam muito baixas e as apresentadoras mal colocadas à mesa. E de mais a mais, o estilo, o modo como os apresentadores se vestem, o que acho muito bom e deve ser preservado, não combina com tanta formalidade. Fica uma estética destoante. Soltem-se!
Ressalto que, dentro do noticiário, os assuntos são muito relevantes, como a Escarpa Devoniana, que não deve sair de pauta; a questão das ciclofaixas, um impasse que a cidade não consegue resolver dentro das políticas públicas, mas que sempre é uma promessa em campanhas políticas; a reforma política; o Fantasma e a disputa da série D, e muito oportuna a reportagem na região dos Periquitos sobre a falta de políticas públicas para o local. Comunidades quase sempre esquecidas pelos veículos locais. E, pra fechar, a questão da mulher na música foi muito bem trabalhada, com números e detalhamentos aos quais nem sempre estamos atentos, nem mesmo os meios de produção/promoção culturais.
Fui buscar em “Ponto de Notícia” novas inserções não encontrei. A última marca data de 4/7/2017. “Crítica de Ponta” carece apenas de pequenas revisões, mas nada que desabone o trabalho como um todo. E, por fim, muito bom ter acesso ao “Página Um” via Periódico.

 

Entre em contato com os ombusman do Periódico pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

A primeira coisa que preciso dizer é que, hoje, ler a crítica da ombudsman da Folha de S.Paulo é um dos programas preferidos do meu domingo.

Recentemente, fiz um treinamento no jornal e tive uma atitude de tiete ao conhecer Vera Guimarães, que foi ombudsman entre 2014 e 2016, sempre com críticas ácidas.

"Vera, domingo era dia de abrir uma cervejinha e comer canudinho de maionese enquanto lia seus comentários. Você renovava semanalmente minha esperança no Jornalismo", disse a ela.

Fiquei com vergonha, mas, pra mim, a autocrítica de um jornal é fundamental para o processo que leva a um conteúdo informativo, relevante e conectado com o público. E tem que ter coragem para muitas vezes bater de frente e chamar a atenção para pontos relevantes.

Não é à toa que a palavra "ombudsman", do sueco, tem o sentido de "delegado". É uma função que costuma desagradar. Mas jornalista não pode (só) se preocupar em agradar.

Durante a faculdade de Jornalismo, na UFPR, fui chefe do telejornal laboratório. Um dos sonhos era ter um ombudsman para analisar o conteúdo, mas isso nunca foi possível. Por isso, pra mim agora é uma alegria pertencer a este espaço.

Parabéns aos estudantes da UEPG, que também têm esta percepção sobre a importância da autocrítica.

Analisando a semana de produção, percebi um empenho grande dos alunos em abordar de forma multimídia temas de interesse à cidade e à comunidade acadêmica, que é realmente o que deve ser priorizado. Os assuntos demonstram conexão com a realidade, o entorno e o interesse público.

O tema da possível perda de proteção ambiental da escarpa devoniana é, ao meu ver, um dos tópicos mais relevantes da região neste momento. Acertada a decisão em começar o telejornal com este tema. Vale continuar no assunto e aprofundar a discussão com outras abordagens.

O comentário sobre o Meta4 e Tide ficou interessante, mas é importante fazer também uma matéria imparcial sobre os dois assuntos, explicando ao espectador o que significam e qual o impacto para a comunidade.

A matéria sobre o preconceito a trans é assunto pertinente e tratado de forma sensível.

Já as duas sobre o agosto colorido (azul e dourado) ficaram confusas. Às vezes, a efeméride pode abordar assuntos relevantes (aleitamento materno, doação de leite e paternidade jovem) sem, necessariamente, focar na data. Destaque para o bom uso de dados na passagem da matéria sobre a paternidade.

A entrevista com o técnico do Operário também foi interessante, por conta do factual, porém a edição poderia ser mais crítica e sucinta. Fica o recado, para a vida: ninguém faz um favor ao dar uma entrevista. O jornalista, sim, faz um favor às pessoas em divulgar informações de interesse.

Em algumas matérias, senti falta de aprofundamento com personagens e dados. É o caso do texto sobre o Agroleite, que acertou em falar sobre a participação de mulheres no campo -- tema que merecia mais exemplos.

Também senti isso nas matérias sobre o mercado editorial e de mulheres no hip hop, que poderiam ficar ainda melhores com entrevistas de pessoas impactadas (um escritor de PG que lançou livro online, outros exemplos de plataforma de publicação e artistas da cena local).

A matéria sobre o protesto no dia 2 de agosto foi veiculada mais de 20 dias depois. Seria o caso de "esquentar" o assunto com um factual. Também é importante cuidar com o uso de expressões de opinião.

Faltou serviço mais encorpado na matéria sobre as apresentações da orquestra, citando datas e horários. E sobrou serviço na matéria de comportamento no estádio.

Um destaque positivo é a sessão "O que aprendi com o Jornalismo", que valoriza histórias de estudantes em um formato que funciona.

Mais uma vez, friso que participei de jornais laboratórios, e por isso entendo que o trabalho passa por uma série de limitações. Falta de tempo, semana de provas, equipamentos defasados. Uma lista longa e que deve ser levada em consideração. Ainda assim, minha percepção é super positiva sobre o trabalho do Periódico. Vi um potencial imenso e uma qualidade impressionante para um jornal universitário. Avante, que o futuro é de vocês.

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