19748382 10213773763244728 1895946577152550273 n

 

A errata é a punhalada no coração de qualquer jornalista. Como explicar para uma pessoa que não é da área a dor que se sente ao descobrir que, apesar de todos os esforços, você falhou?

 

A matéria-prima do jornalismo é informação. E informação, por si só, é algo relativamente efêmero. Você pode checar, rechecar, conseguir várias confirmações diferentes. E ainda assim deixar a desejar em algum ponto da apuração. São coisas da vida. Todo mundo erra. No jornalismo não seria diferente.

 

Mas a errata, para um jornalista, tem algo de diferente do simples reconhecer um erro. Além de admitir, você precisa publicizar com destaque a informação correta e dizer com todas as letras o "ao contrário do que a matéria informou".

 

Se for pensar bem, é cruel. Não basta a autopunição que todo jornalista comprometido se impõe ao perceber a falha. Isso não é suficiente. Você ainda precisa expor esse "fracasso" em praça pública. Se preocupar com o que os colegas irão pensar. Sentir que nunca mais vai recuperar a credibilidade. Ah, que sofrimento.

 

Mas posso dizer do alto das minhas erratas que, infelizmente, todo jornalista vai errar vez ou outra. Ninguém quer isso, mas é praticamente impossível não acontecer em algum(ns) momento(s) da trajetória profissional. Ninguém está imune.

 

Digo tudo isso porque me surpreendi positivamente com a errata dada no último Correspondente Local. Era uma coisa relativamente pequena (a data de um jogo), mas o Periódico acertou ao fazer uma nova postagem no Facebook e acrescentando a nota na matéria original.

 

Mais importante que querer estar certo o tempo todo é buscar retificar informações para que elas sejam as mais claras e verdadeiras possíveis.

 

Arrisco acrescentar que a errata é o maior exemplo de compromisso de um jornal com o seu público. Ao invés de perder credibilidade, acontece o contrário.

 

Um jornalismo pronto a admitir falhas e aprender com elas é o jornalismo que queremos em um mundo repleto de fake news e desinformação.

 

Adendo: adorei a iniciativa de o jornal começar a publicar charges. Como comentei na palestra na 26a. Semana de Comunicação, a charge é um elemento importante que sintetiza o contexto de um período. Muitas vezes, uma charge fala mais que muitas páginas do jornal.

 

Adendo 2: me surpreendeu positivamente perceber o avanço em termos de técnica e teoria da produção jornalística das últimas semanas. Matérias mais bem embasadas, contextualizadas, com "outro lado". Fica aqui minha menção honrosa à matéria sobre intolerância religiosa, que capturou um gancho do momento (o ensino religioso nas escolas) para ampliar o debate. Mesma coisa a matéria sobre a falta de leis que criminalizam homofobia (também louvável pela abordagem multimídia).