Nesta semana, entre tantas notícias deste portal Periódico, me chamou especial atenção uma delas: o falecimento da professora Solange Barros.

Eu não conhecia a professora, tampouco sabia quem ela era até antes de ler a reportagem. Mas fiquei impressionada com o alcance do texto (foram pouco mais de 600 acessos), o que me colocou a pensar.

Noticiar a morte, algo que acontece todo dia, pode parecer banal em meio aos desdobramentos de um escândalo de corrupção ou à discussão de políticas públicas. Mas a lembrança daqueles que nos foram ou são próximos tem um apelo íntimo, mexe com nossas memórias e nos faz refletir sobre o papel de suas trajetórias no nosso cotidiano. De que forma essa pessoa se posicionou diante da vida? Quais foram as suas principais realizações? Como isso mudou a forma como eu levo a minha vida hoje?

O Periódico acertou ao registrar o falecimento da professora. Fez muito bem ao ouvir seus antigos colegas, aqueles que conviveram com ela, para saber mais de sua vida.

Mas faço aqui uma provocação: por que não ir além?

Por que não construir um belo obituário? Por que não tentar capturar traços da personalidade da professora, ouvir amigos, antigos alunos, saber das batalhas cotidianas por que ela passou, além das contribuições que deu ao curso de Jornalismo da UEPG?

Bons perfis, inclusive (e não somente obituários), poderiam virar uma sessão permanente no Periódico. Perfilar aquele funcionário da universidade de que todo mundo gosta, mas que poucos conhecem em sua vida privada. Ou o aluno que senta naquela carteira do canto e é um entusiasta de campeonatos de futebol de botão. Ou o professor recém-chegado, que virou assunto no corredor. Ou o vereador que está dando o que falar, o secretário que inventou um novo programa para recuperação de viciados, a feminista que faz protestos em frente à prefeitura.

Contar a história de uma vida – tem coisa melhor que isso?