É notório! O feriado da independência e a sexta que se desfalece em quintas comemorativas refletiu na agenda de publicações. Matérias de gaveta, produções mais internas e do universo institucional, e mais algumas pautas por aí.

 

No duro e na calculadora, 40% a menos em termos de atualização em comparação a semana menos produtiva desde o início desta safra de notícias. Claro, é do jogo. Um dia é da pauta...e outro é da não publicação. Esse baile para também justificar meus parcos caracteres.

 

Mas alto lá, que tem metal reluzente nestes dias de seca. E nego que seja a única pepita, a exemplo do registro de vitória do guerreiro Fantasma, operário dos corações dos campos gerais.

 

É do lixo que me enrolo a falar. De um tema sempre urgente, do lixão, de um lugar desconhecido para onde vai o que descartamos, onde desemboca nossa omissão.

 

A dona Nilda, que singela inicia a matéria, abrindo as portas de sua casa, entra em um enredo um pouco desconexo. Há uma casa para se limpar aqui dentro, um cachorro no quintal, uma cena de quem recebe uma visita desavisada, e uma tranquilidade que não transparece o incômodo de toneladas de lixo a 200 metros do seu lar.

 

Quebrar a dureza da pirâmide, pintar a realidade na construção de cenários, ultrapassar o texto e levar sensações ao leitor é uma arte a se dominar. Quero dominar. Queremos. Mas vem com o tempo, com a repetição, com a evolução, e com espaços como o Periódico, que abarca as iniciativas.

 

O que se destaca em meio a isso é a dura temática, responsável e difícil, que é enfrentada com valor a seis mãos pelas jornalistas em formação Gabriela Clair, Kimberlly Safraide e Mirna Bazzi. Dados, estudos, links, percentuais, toneladas, fontes, vários especialistas, técnicos, documentos, ministério público, IAP e a dona Nilda, única personagem em quinze mil caracteres.

 

Um fôlego de matéria. Tremendo exercício de apuração, de consulta, de ir e vir no tema. Um trabalho necessário ao jornalismo que as imposições do “publique-se” e da meta diária às vezes nos tolhem o direito, à percepção.

 

Há muita informação. E não é uma crítica. A trama é complexa, com cenas de há anos que reprisam em Ponta Grossa. Mas há de se apontar que resta um pouco de conformação. E isso não nos cabe.

 

Uma ponta de resignação que joga para o rodapé um prefeito que não se explica. Uma omissão, que deveria ser constrangedora, e não resignada diante de um “problema mundial”, pois “não se consegue abrir um novo local da noite para o dia”. Quem sabe aqui resida o incômodo, que se pareceu tímido ou inexistente diante de uma montanha de lixo aos pés da porta de um lar.

 

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