Todos somos ou gostaríamos de ser ombudsman (mesmo sem saber o que isso significa). Essa é uma premissa dos tempos atuais em que compartilhamos, discutimos, criticamos, à nossa maneira, na maioria das vezes atabalhoada, tudo o que se produz ou cai no universo das redes sociais. Todos sabem sobre tudo o que se passa, todos sabem pouco do que realmente se passa. Em tempos de crises profundas como as que vivemos, a comunicação vira uma arma nas mãos dos maus intencionados. A partir dela é que se manipula todo o resto, inclusive nossas ideias sobre as coisas.  E, mais fácil ainda, quando nossas ideias são rasas, sem aprofundamento, sem contextualização.
Cheguei onde queria chegar. Em algum ponto na apresentação do Correspondente Local, lá está o termo contextualização, que é, ou devia ser, o leitmotiv do jornalismo. Leitmotiv é um termo da música criado por Richard Wagner, que consiste em trabalhar com um ou mais temas que se repetem na encenação de uma ópera, relacionado a um personagem ou assunto. Gosto de usar isso e creio que cabe bem aqui ao analisar a produção dessa semana do “Periódico”.
Quem passou pelos cursos de jornalismo não teve como fugir do jornal laboratório (e se fugia já deveria ter parado o curso quando entrou). Era um gosto, em tempos tão precários, ora fazer a função de repórter para sentir as ruas, ora de editor para escolher o que seria melhor para o jornal naquela semana, quinzena, ou mês, a depender da parca estrutura disponível. Mas sempre queríamos fazer o que os jornais e as TVs não faziam.
Em linhas gerais, as mídias interativas do “Periódico” têm dado conta de produzir notícia e informação, que embora esteja fora dos portões da UEPG através das redes sociais, precisa chegar a um público mais amplo.
A esse respeito, chamo a atenção para o modelo de apresentação do jornal em vídeo, que segue o mesmo padrão das emissoras de TV convencionais, com apresentadores atrás da bancada. E mesmo elas já viram que esse modelo não é atraente, quando começaram a perder pontos e público para a internet. A formalidade do balcão separa a notícia do espectador.
Reparei isso no lançamento das novidades do “Periódico”. As cadeiras pareciam muito baixas e as apresentadoras mal colocadas à mesa. E de mais a mais, o estilo, o modo como os apresentadores se vestem, o que acho muito bom e deve ser preservado, não combina com tanta formalidade. Fica uma estética destoante. Soltem-se!
Ressalto que, dentro do noticiário, os assuntos são muito relevantes, como a Escarpa Devoniana, que não deve sair de pauta; a questão das ciclofaixas, um impasse que a cidade não consegue resolver dentro das políticas públicas, mas que sempre é uma promessa em campanhas políticas; a reforma política; o Fantasma e a disputa da série D, e muito oportuna a reportagem na região dos Periquitos sobre a falta de políticas públicas para o local. Comunidades quase sempre esquecidas pelos veículos locais. E, pra fechar, a questão da mulher na música foi muito bem trabalhada, com números e detalhamentos aos quais nem sempre estamos atentos, nem mesmo os meios de produção/promoção culturais.
Fui buscar em “Ponto de Notícia” novas inserções não encontrei. A última marca data de 4/7/2017. “Crítica de Ponta” carece apenas de pequenas revisões, mas nada que desabone o trabalho como um todo. E, por fim, muito bom ter acesso ao “Página Um” via Periódico.

 

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