Evento promovido Grupo Renascer traz palestras sobre ações de inclusão LGBT na comunidade religiosa

O 14º Fórum de Direitos Humanos, que aconteceu na última sexta-feira (12), no auditório B do Cine Teatro Ópera, teve como tela “O amor em Cristo em todas as cores”. Além de palestras, o evento teve a exposição fotográfica “Holofotes”, com o objetivo de colocar em evidência a comunidade LGBT de Ponta Grossa.

O fórum foi organizado pelo Grupo Renascer e pelo Grupo de Estudos Territoriais (GETE) do curso de Geografia da UEPG. A mesa foi composta por representantes da Pastoral da Diversidade e do Grupo MAMI (Mães do Amor Incondicional), ambos da Paróquia Bom Jesus dos Perdões, em Curitiba. Segundo a integrante da comissão de diversidade e gênero da OAB, Tais Boamorte, o objetivo das palestras foi abrir um campo de discussão com foco na religião, que muitas vezes é negada ao público LGBT. 

O evento iniciou com a participação do representante da diocese de Ponta Grossa, Ramon Cotar, que leu uma mensagem enviada pelo bispo da cidade apoiando a iniciativa do Fórum. Após a leitura, a tesoureira do Grupo Renascer, Fernanda Riquelme, realizou uma performance artística da música “The winner takes it all”, do grupo sueco Abba. Em seguida, iniciou-se a mesa de discussões com a integrante do Grupo MAMI, Silvia Kreuz, e a representante da Pastoral da Diversidade, Maysa Regina Francener. 

Existente desde agosto de 2015, o Grupo MAMI começou com a iniciativa de Silvia Kreuz, 48, dentista e voluntária. Segundo a fundadora do grupo, ela viu a necessidade de apoiar e orientar mães de filhos LGBTs quando notou o afastamento de muitas amigas da igreja. “A gente pode promover a mudança, só não pode ter medo”, observa Silvia, destacando que a entidade assume a função social de falar sobre respeito à diversidade para as pessoas. 

Maysa Regina, 52, aposentada, contou sua história de vida como mulher trans e a experiência de buscar espaço dentro da igreja para criar a Pastoral da Diversidade. Maysa explica que o principal objetivo da pastoral é acolher quem precisa e dizer que as pessoas LGBTs devem estar lá. Quando questionada sobre como realizar este acolhimento, ela completa: “deve-se amar, abraçar, e não tentar converter, pois a pessoa que procura a igreja já está buscando a Deus e não precisa de conversão”. 

“Esse evento de hoje foi um dos mais diferentes que já tivemos aqui na cidade. Por estar incluindo a religião, é uma conquista. Ano passado teve muita briga na Câmara para lutarmos pelos nossos direitos”, relata Denise de Lima Dorneles, 40, cabeleireira. Para ela, a igreja está abrindo as portas e percebendo que a palavra de Deus é para todos, o que inclui a comunidade LGBT.

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