A internet, enquanto um fenômeno social, já não é mais novidade. Quando aliada às redes sociais e a possibilidade em dar voz aos esquecidos, o fenômeno atinge proporções ainda maiores. No Brasil, principalmente depois dos protestos de junho de 2013, convocados em grande parte pelos sites de relacionamento, as redes vêm ofertando uma maneira efetiva de organização daqueles que partilham de algo em comum, transformando os comportamentos pessoais.

O engajamento, palavra chave para que algo viralize na internet, unido a indignação, principalmente política, consegue reunir dezenas, centenas e até milhares de pessoas em vias públicas. As facilidades que se encontram na palma de nossa mão são o fio condutor das atuais manifestações no Brasil, uma vez que é possível que as pessoas criem eventos, compartilhem com amigos - que podem compartilhar com os amigos dos amigos, interajam com fotos e vídeos e em decorrência, unifiquem um ato, como os mais recentes pedindo o impeachment do presidente MichelTemer e as eleições diretas, em nível nacional, e mais próximo a nós, a mobilização a favor de mais segurança na universidade, após assalto com vítima no campus de Uvaranas, da UEPG. 

Embora necessária, o louvor não é todo da internet, mas da ação popular, que historicamente partia ou era associada a movimentos estudantis e/ou ligados a partidos políticos, com liderança hierárquica e definida e que hoje é pode ser feita por um desconhecido da massa, que partilha angustias e articula movimentos para as ruas. A falta de uma referência, de um nome ou grupo, no entanto, não é prejudicial, uma vez que o ponto de encontro é na própria internet, nos eventos das redes sociais.

Os riscos de uma geração, se é que assim pode ser chamada, que usa das redes sociais para mobilização e protestos, é ficar presa na plataforma e achar que somente o ato virtual e as hashtag #ForaTemer transformarão a realidade a qual tanto os incomoda.